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Um sonho numa era de sonhos

Devasto copas altas
Onde flores um dia foram moças
Desta memória que folhas tornam
Todo o pomar de onde furtei seu doce

Desmanchada feito fruta posta
De um chão tão longe que a terra encosta
Fiz minha base em soma, insumas e hiatos
Beirei a esperança em ser desapegado

E de longe não te vi feito um retrato
E sem monte não subi no cerrado
E sem fronte deixei o rosto suado
E sem estrofe, refrão ou mote, fiz o campo vasto.

André Luz Gonçalves


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