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Cego blues

Num chapéu cor de farinha
Com uma cachaça e uma garrafa quase vazia

Uma cegueira cega que nem ela
Um tempo certo na hora errada

Um blues de um forró bem triste
Uma criança que não chora nem vai embora

E três mesas vazias.

Uma lembrança de um perfume
Um chale branco, saudade e ciúme

Uma parede de uma alusão púrpura bondade
Um amor insano, regado e negado

Invejado pelos anjos, flechado caboclo
Uma antiga mentira virou verdade

E as tais mesas vazias

E depressa vai cada vez mais lenta
A noite e o dia feito o amor que se inventa

Arde, queima e contenta
Falso feitiço feito a destilada àgua que torpe

Os modos e as giras
que envolta de nós se sustenta

Nenhuma mesa, onde não a via

O local deixou a razão com sorte
A música acabou e o bumbo coração tenta

Bem mais poema do que cena
Eu sorrio vida que brilha, não me faço de dentes.

Vida não esfazia no feitio de mesas fazias.

André Luz Gonçalves


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