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Das fêmeas.


Não sou nada!

 

Sou a mina terrestre a ser pisada
Sou o olho que turva a cólera da raiva
Sou o momento do milagre
Sou o exagero da fome, o exagero do saciar
Sou o cheiro do mato torpe
Sou o gás que te adormece
Sou a bebida que te seca
Sou o banho que te suja
Sou a delicadeza que te maltrata
Sou nua, sua santa puta
Sou donzela, gazela singela tonta e sonsa feito borboleta em flor
Sou o horizonte bonito
o tempo feio de chuva
Sou a alegria do meu ventre
Sou a tristeza em forma de beleza
Sou a margem que cai e leva
Sou a força que trai e dispersa
Sou a alma que tange orgulhosa e leve
Sou a prisão da sua liberdade
minha alma é feita de palha
E mesmo que eu tente ser seu lago fresco
Sua água da fonte
Ser seu pão
Ser sua
Nada além do sabor amargo dos reflexos
sairá
dentre nós.
Dito da boca de uma mulher amarga, ou da amarga boca de uma mulher.


André Luz.

 

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